segunda-feira, 21 de maio de 2018


Estilo Barroco no Brasil

Arte Barroca, representação de movimento, ornamentação, representação das emoções humanas e, quase sempre temas religiosos.
Na escultura barroca a ilusão de movimento era obtida por meio das curvas, dobras das roupas e poses dramáticas.
Na arquitetura barroca, os edifícios passaram a ser construídos com curvas e colunas ornamentadas. A decoração interior das igrejas era extravagante, repleta de ouro e prata.
Os primeiros jesuítas
A igreja encorajou o estilo barroco numa época em que estava perdendo fieis. Os padres encomendavam pinturas para os tetos e os altares com cenas de anjos voando no céu. A imagem de um Cristo tranquilo foi substituída por a de um Cristo sofredor, com feridas abertas.
Os jesuítas no Brasil seguiram o modelo italiano para construir suas igrejas.  Uma exceção é a igreja de nossa senhora da conceição, em Santana de Paraíba, no interior de São Paulo, onde frutas tropicais são incluídas na decoração do altar.
Frei Agostinho da Piedade.  Portugal, 1580- Salvador, BA, 1661. E Frei Agostinho de Jesus. Rio de Janeiro, RJ, 1600-1661. Esses jesuítas foram uns dos principais artistas a introduzirem a arte barroca no Brasil. (pesquisar imagens)
Somente mais tarde, no decorrer do século XVII, apareceram as estátuas de madeira encarnada, consideradas mais refinadas. As estátuas feitas em madeira eram, depois de esculpidas, pintadas com tinta a óleo, o que as deixava com aspecto brilhoso. Esse tipo de pintura imitava a cor da pele, daí o nome madeira encarnada. Outros artistas dedicavam-se à pintura das vestes das imagens, usando uma técnica chamada têmpera. Nessa técnica era obtida uma tinta opaca.
O material usado dependia de cada região.  Na Bahia, por exemplo, o material  usado para escultura era, geralmente a madeira. Em Minas Gerais, os artistas usaram a madeira e a pedra-sabão. Dessa forma, em cada região do Brasil a arte barroca assumiu uma característica própria.
Igrejas da Bahia
Depois da expulsão dos holandeses do nordeste brasileiro, que ali ficaram de 1630 a 1654, as primeiras igrejas destruídas na invasão holandesa foram restauradas, muitas que não haviam sido terminadas foram construídas no estilo barroco, em vez de seguirem o estilo original. As vezes materiais de construção eram importados e até igrejas inteiras eram trazidas da Europa e montadas no Brasil. A influência portuguesa, com seu estilo barroco pesado, era muito forte no norte e nordeste do Brasil. A igreja de São Francisco de Assis, em Salvador, Bahia, é um exemplo típico da concepção portuguesa de “igreja de ouro”. Nessa concepção, o interior da igreja é totalmente recoberto de entalhes dourados. Sempre com o objetivo de simular movimento e representar as emoções humanas.
Igrejas do Rio de Janeiro
Depois da decadência da produção de cana-de-açúcar, no nordeste, a capital do Brasil passou de Salvador-BA  para o Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro era pouco maior que um vilarejo, mas ganhou grande importância quando foi construída a estrada Caminho Novo, ligando Minas gerais à cidade portuária. Entre 1700 e 1750, lindas igrejas barrocas com tetos pintados em perspectiva começaram a ser construídas no Rio. Com o passar do tempo a cidade tornou-se o centro cultural do Brasil.
Igrejas de Minas Gerais
Minas Gerais, o estado no qual, pela primeira vez, surgiu uma arte genuinamente brasileira, apesar de ser a região onde mais se encontrou ouro, no interior de suas igrejas há pouco ouro. Geralmente, o interior das igrejas mineiras é simples com decoração em pedra-sabão, rocha típica da região.
Minas Gerais orgulha-se em ter como filhos o brilhante arquiteto e escultor barroco, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e Manuel da Costa Ataíde, o melhor pintor do barroco brasileiro.  Contemporâneos e vivendo próximos, muitas vezes, combinaram seus talentos numa mesma igreja. O melhor exemplo dessa combinação de talentos brasileiros está na igreja de São Francisco de Assis, Em Ouro Preto-MG.  Essa igreja é uma obra-prima da dupla (pesquisar imagens do interior e do exterior).
O Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo - MG, último trabalho da arte barroca no Brasil, é considerado a obra-prima de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Sua arquitetura baseou-se numa igreja portuguesa, mas o toque especial de Aleijadinho tornou-a única.
Doze profetas do velho testamento, em tamanho natural, esculpidos em pedra-sabão decoram o adro.
Seis capelas que conduzem à igreja contêm cenas dos últimos dias de Jesus. Sessenta e seis figuras entalhadas em madeira, também em tamanho natural, retratam dramaticamente a história de Cristo.

Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Vila Rica, atual Ouro Preto, MG, 1738-1814.
Filho de um arquiteto português e de uma escrava, recebeu do pai as primeiras lições de arquitetura. Até os 50 anos era um homem saudável e um dos artistas mais respeitados do seu tempo. Atacado por uma terrível doença, ficou aleijado e deformado. Por isso, o apelidaram de Aleijadinho. Suas mãos ficaram tão deformadas que o cinzel tinha que ser atado ao que restava de sua mão. Assim, ele trabalhou  em uma de suas obras mais famosas, o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos.
O escultor aleijadinho reproduzia seres e objetos nunca vistos. Assim, tinha de confiar em sua imaginação para esculpir elementos baseados em gravuras europeias do século XV. Isso se vê nos leões e também nas roupas medievais.
Manuel da Costa Ataíde, Mariana, MG, 1762-1837.
Ataíde foi um dos primeiros artistas barrocos genuinamente brasileiro. Pintou anjos e madonas mulatos. Decorou obras arquitetônicas em cores tropicais, preferindo amarelo, azul-claro e vermelho-claro.
Seus grandes trabalhos incluem os tetos em que o efeito artístico causa a impressão de movimento, como na igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, MG. Uma madona mulata, muito parecida com a namorada de Ataíde, parece estar subindo aos céus, acompanhada por dúzias de anjos mulatos. Acredita-se que o anjo aos pés de Maria seja uma alusão a Aleijadinho. Ele está colocando o caibro de aleijado aos pés da Santa. Como Ataíde também era músico, pintava os anjos musicais com muitos detalhes.






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