quarta-feira, 4 de setembro de 2019


SERRA DA CAPIVARA, em São Raimundo Nonato, PIAUÍ

A Arte rupestre na Serra da Capivara, Piauí, é datada de aproximadamente 6000 anos a.C. Os pesquisadores classificaram as pinturas e gravuras da Serra da Capivara em dois grandes grupos: obras com motivos naturalistas e obras com motivos geométricos.

A partir dos estudos arqueológicos em São Raimundo Nonato, os estudiosos denominaram o seu estilo artístico de “Várzea Grande”. Esse estilo tem como característica a preferência pela cor vermelha, o predomínio dos motivos naturalistas, a representação de figuras antropomorfas (forma humana) e zoomorfas (formas animais) com o corpo totalmente preenchido e os membros desenhados com traços, representados de perfil. Nota-se também a frequente presença de cenas com numerosos personagens, com temas variados e que expressam grande dinamismo.





ARTE PRÉ-HISTÓRICA

O homem pré-histórico registrou sua evolução através dos seus instrumentos, armas, fósseis, utensílios, gravuras, pinturas e fragmentos de joalheria e ornamentação




A arte na Idade da Pedra Lascada, PALEOLÍTICO

Vamos conhecer sua história partindo do Paleolítico Superior (aproximadamente 30000 anos a.C.), pois é nesse momento que os pesquisadores perceberam as primeiras manifestações artísticas.

As primeiras expressões da arte eram muito simples. Consistiam em traços feitos nas paredes de argila das cavernas ou das “mãos em negativo”. Somente muito tempo depois de dominarem as técnicas das mãos em negativo é que os artistas pré-históricos começaram a desenhar e pintar animais.



A principal característica dos desenhos da Idade da Pedra Lascada (Paleolítico Superior) é o naturalismo.  Os artistas pintavam do modo como viam de uma determinada perspectiva, representando a natureza tal qual eles a percebiam.




Na Idade da Pedra Lascada (Paleolítico Superior) os materiais mais usados como aglutinantes para as pinturas rupestres foram sangue, argila, excrementos humanos, látex de plantas, gordura e clara de ovos de animais.
A cor era obtida misturando-se o pó de rochas, com destaque para o óxido de ferro, que tem a coloração vermelho-alaranjada.

Um aspecto que chama muito a atenção de quem observa a pintura rupestre é a capacidade de seus criadores em interpretarem a natureza.


Também foram realizados trabalhos em escultura no Paleolítico Superior, nesses trabalhos a figura humana é predominantemente feminina com a cabeça surgindo como prolongamento do pescoço, seios volumosos, ventre saltado e grandes nádegas.





A arte na Idade da Pedra Polida, NEOLÍTICO.

O último período da Pré-História é chamado de Neolítico ou Idade da Pedra Polida. Esse nome foi adotado por causa da técnica de construir armas e ferramentas com pedras polidas mediante o atrito (fricção).

É no Neolítico que surge a produção da cerâmica, a fiação e a tecelagem, assim como métodos básicos de construção arquitetural em madeira, tijolo e pedra. Iniciam-se também no período Neolítico as imponentes estruturas megalíticas que são construções feitas com grandes pedras monolíticas (uma pedra), relacionadas com o culto dos mortos ou com objetivos religiosos.

Todas essas conquistas técnicas do Neolítico tiveram um forte reflexo na arte.
O poder de observação do homem foi sendo substituído pela abstração e racionalização. A consequência imediata foi o abandono do estilo naturalista que predominou na arte do Paleolítico e o surgimento de um estilo simplificador e geometrizante. Essa é a primeira grande mudança na história da arte.



Mas não foram apenas a maneira de pintar e desenhar que sofreram modificações. Os próprios temas da arte mudaram. No Neolítico, começaram as representações da vida coletiva. Além disso, um novo problema surgiu para os artistas: dar a ideia de movimento, para tal, foram utilizadas as imagens fixas (congeladas). A preocupação com o movimento fez com que os artistas criassem figuras leves, ágeis, pequenas e com pouca cor.

 Com o tempo, essas figuras foram se reduzindo a traços e linhas muito simples, mas que comunicavam algo para quem as via. Desses desenhos, surge a primeira forma de escrita, a escrita pictográfica, que consiste em representar seres e ideias pelo desenho.





No Neolítico, os artistas produziram uma cerâmica que revela preocupação não apenas com a utilidade do objeto, mas, também, com a beleza



O homem do período Neolítico abandonou as cavernas e começou a construir moradas e monumentos; Essas edificações foram posteriormente denominadas de Nuragues e Dolmens.
Nuragues significam construções edificadas em pedra, em forma de um cone incompleto, sem nenhum tipo de mistura de materiais para uni-las ou revesti-las (sem argamassa).
Os dólmens são monumentos megalíticos tumulares coletivos construídos       por humanos (datados desde o fim do V milênio a.C. até ao fim do III milênio a.C., na Europa, e até ao I milênio, no Extremo Oriente). O nome deriva do Bretão dol = mesa e men = pedra.




Pós-Impressionismo
Os artistas do chamado Pós-Impressionismo não tinham os mesmos métodos, cada artista seguia seus próprios conceitos e instintos artísticos e se inspiravam por motivos diferentes, eles eram livres e se tornaram os verdadeiros mestres das mudanças que a arte viveria no século XIX.
Os mais importantes representantes do Pós-Impressionismo foram Paul Cézanne, Vincent van Gogh, Paul Gauguin e Georges Seurat, além desses artistas, não podemos esquecer de Toulouse-Lautrec, que documentou a vida parisiense do fim do século XIX de um ponto de vista muito pessoal.
Em resumo, para os artistas do Pós-impressionismo, o novo espírito que surgira se distanciava do outro (Impressionismo), pois admitia a importância do lado subjetivo, humano, emocional e sentimental expresso nas artes e não somente de seu aspecto “superficial”, de reprodução da realidade, como fizeram os autores do Impressionismo.


Van Gogh: A emoção enquanto cor.

Vincent Willem Van Gogh , um artista apaixonante,  ele se empenhou profundamente em recriar a beleza dos seres humanos e da natureza mediante a cor, que para ele era o elemento fundamental  da pintura. A produção artística de Van Gogh passou por vários períodos.  O primeiro período está ligado ao tempo em que conviveu com os mineiros belgas. Nas obras dessa época, percebe-se a tradição holandesa do claro-escuro e o interesse por temas sociais. As cores são sombrias e as personagens melancólicas.
Em 1886, Van Gogh foi para Paris e conheceu o Impressionismo, que logo abandonou, pois procurava um novo caminho para sua arte. Então, ele se interessou pelo trabalho de Gauguin,  principalmente porque esse pintor simplificava as formas, reduzia os efeitos da luz e usava zonas de cores bem definidas.
Em 1888, quando foi para Arles, no sul da França, Van Gogh passou a pintar ao ar livre. O sol forte da região mediterrânea influenciou sua pintura e ele se apaixonou pelas cores intensas.
Van Gogh sofreu várias crises nervosas. Depois de internações, em 1890 foi para Anvers, cidade tranquila ao norte da França. Em três meses pintou 80 telas com cenas inquietantes. O que predomina nessas obras são as cores fortes e as  formas retorcidas.
Enquanto viveu, Van Gogh não teve reconhecimento, pois o público e os críticos não souberam  ver em sua obra os primeiros passos em direção à arte moderna, nem compreender seu esforço para expressar a beleza dos seres por meio de uma explosão de cores.



Gauguin: o uso arbitrário da Cor

Assim como Cézanne, Inicialmente, Eugène Henri Paul Gauguin ligou-se ao Impressionismo e participou de exposição coletiva desse movimento, em 1880, mas por volta de 1884, seus quadros já superavam, em alguns aspectos, a tendência impressionista, a tinta começa a ser usada pura em áreas de cor bem definidas, os objetos passam a ser coloridos de modo arbitrário e a representação deixa de ser tridimensional, com linhas de contorno bem visíveis.



Toulousse Lautrec: traços rápidos, poucas cores e uma situação humana

Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec Monfa firmou-se como independente e absolutamente original.  Apesar de ter nascido em uma rica propriedade rural no sul da França, foi a agitada vida urbana de Paris que Toulousse-Lautrec registrou inconfundivelmente. Os seus personagens eram dançarinas, artistas circenses, frequentadores de bares e cabarés, as prostitutas e pessoas anônimas.  Diferentemente dos impressionistas, eram os ambientes  interiores que o inspiravam.  As marcas de Toulousse-Lautrec na pintura são a capacidade de síntese, o contorno  expressivo das figuras e a dinâmica  da realidade. Toulousse-Lautrec soube captar, como nenhum outro artista, a sociedade e o ser humano para além da aparência de felicidade, sentimento esse quase obrigatório no final do século XIX, período alegremente chamado de « belle époque ».



Seurat: O prenúncio da “pixelização”

Georges Seurat foi um pintor francês considerado um dos pioneiros do movimento Pontilhista. O Pontilhismo foi uma técnica desenvolvida a partir do  movimento Impressionista, sobretudo no que tange a aversão desses pela linha como delimitação. O que diferencia o Pontilhismo do Impressionismo é o fato dos pontilhistas estarem mais focados no recorte geométrico ou na pesquisa científica da cor. O principal  objetivo dos pontilhistas é de se obter tons mais luminosos que transmitam luz e calor.


Cézanne: a busca da estrutura  permanente da natureza 
Paul Cézanne iniciou sua carreira artística ligado aos impressionistas, mas não tardou para que sua obra tomasse outros rumos. Cézanne não se preocupava em registrar as passageiras mudanças que a luz causa nos objetos, o que ele buscava em sua arte era o permanente, a estrutura íntima da natureza. A partir disso, Cézanne converteu os elementos da natureza em figuras geométricas com formas ovais, cônicas, cilíndricas e esféricas, de tal forma que se tornou impossível para ele recriar a realidade a partir de “impressões” captadas pelos sentidos.




Técnica da perspectiva


Perspectiva é tudo o que se consegue ver ao longe; aquilo que os olhos alcançam desde certo lugar. Nessa nossa maneira de ver, as coisas e os seres parecem menores e com cores menos intensas, à medida que se afastam.

Basicamente, a técnica da perspectiva consiste na utilização de “pontos de fuga” para os quais linhas diagonais se convergem. Essas linhas diagonais representam o que na realidade seriam linhas horizontais paralelas, porém, por causa da nossa maneira de ver, essas linhas aparentam estar se dirigindo para o mesmo ponto.

Em um desenho ou em uma pintura, o uso das diagonais (sejam elas implícitas ou explícitas), que se convergem em um ponto de fuga, nos permite distribuir os elementos representados nas proporções “corretas” sobre um plano bidimensional (2D) e, assim, simularmos a profundidade, dando à composição um aspecto tridimensional (3D). Ou seja, Com o uso da técnica da perspectiva, podemos representar o espaço de forma mais realista.

Devemos nos lembrar que a perspectiva, na verdade, não existe e que essa técnica é um modo de representar a interpretação que nosso cérebro faz das coisas que vemos à distância, portanto, cada desenhista terá seu ponto de vista e, consequentemente, os “pontos de fuga” serão percebidos por cada um de nós diferentemente no horizonte.

O arquiteto e artista do período renascentista Fillipo Bruneleschi é considerado o primeiro mestre a usar os estudos da geometria projetiva para representar, em um plano bidimensional (2D), a profundidade do espaço, sua técnica ficou conhecida como perspectiva linear.